No mundo dos negócios, nas grandes empresas, seja com capital nacional ou multinacional e na política se fala muito em “Crescimento com Desenvolvimento Sustentável” ou “Empresas com Responsabilidade Social”. São conceitos que na realidade podem ter várias interpretações. Vamos pensar um pouco e refletir um pouco sobre os mesmos.
Empresas socialmente responsáveis atuam além do que exige a lei, de forma permanente e como parte de seu planejamento estratégico. Muitas vezes acontece que estas empresas nem sempre cumprem as leis existentes, mas chamam a atenção da população, pois incluíram no seu planejamento trabalhos de formação profissional, cultural ou ação social para as populações das comunidades ou da região onde atuam. Estas empresas querem nos mostrar de que elas tem mais valores desejáveis do que apenas o lucro puro. Sabem, por exemplo, que problemas sociais, culturais e impactos ambientais criados por elas podem ter um impacto negativo sobre o nome da empresa e querem neutralizar ou “apagar” esses impactos por meio destas ações sociais dentro da comunidade e região.
Existe um antigo provérbio que muito bem se aplica na definição dos conceitos de Filantropia, Responsabilidade Social e Sustentabilidade: dar o peixe a quem tem fome é Filantropia, ensinar a pescar para garantir o alimento é Responsabilidade Social, no entanto, cuidar da qualidade da água do rio, preservar suas margens e suas nascentes, cuidar para que não seja poluído e nem assoreado, e que existam peixes para sempre, é Sustentabilidade.
A sustentabilidade é um compromisso com o futuro, não é uma meta que possa ser atingida, mas um caminho que todos devem trilhar em busca de melhores soluções para os problemas humanos, sejam eles econômicos, sociais ou ambientais. Este compromisso com o futuro se expressa de diversas maneiras e em distintos graus dentro das organizações. O fundamental é que esteja sempre permeando qualquer decisão dentro dos processos de gestão. Nenhuma ação humana ou empresarial está isenta de impactos e todos eles devem estar previstos de forma a poderem ser neutralizados ou minimizados.
Ser sustentável é, portanto, o exercício cotidiano da responsabilidade e a busca permanente por menos e menores riscos e conseqüências negativas das nossas atividades e ações. E esta forma de gestão deixa de ser apenas uma busca da satisfação dos acionistas, para colocar a organização ou empresa em uma nova trajetória, uma onde sua ação passa a ser parte do processo civilizatório que deverá levar a sociedade humana a ter mais e melhor qualidade de vida nos próximos séculos.
A contribuição das empresas para este processo civilizatório, onde suas organizações têm muito mais recursos e poder do que os Estados será determinante para mudanças estruturais nos modelos atuais de produção e consumo, onde o lucro é um valor absoluto e permanente. A busca pelo lucro deverá seguir movendo as empresas. No entanto, entra na equação um novo componente, o tempo. O lucro espalhado no tempo, com objetivos que garantam a perenidade das empresas. Este é um novo paradigma que deverá ocupar os corações e mentes dos gestores das empresas.
É lamentável que a filosofia da política econômica dominante no mundo de hoje está poluindo cada vez mais a mente do ser humano e andando contra mão no que diz respeito a sustentabilidade. O conceito “tempo” geralmente está ausente, pois quando cá não dá mais, vamos para lá, para qualquer outra parte do mundo, onde ainda pode e onde teremos mais lucro.
A humanidade já consome 25% a mais de recursos naturais do que a capacidade de renovação da Terra. Se os padrões de consumo e produção se mantiverem no atual patamar, em menos de 50 anos serão necessários dois planetas Terra para atender nossas necessidades de água, energia e alimentos, papel e tantas outras coisas. Esta situação já é refletida, por exemplo, no acesso irregular à água de boa qualidade em várias partes do nosso pais e do mundo, na poluição dos centros urbanos e no aquecimento global.